No trabalho, minha autogestão funciona muito bem. Consigo me organizar, tomar iniciativa e entregar o que foi pedido, às vezes até mais. Gosto de fazer as coisas bem feitas e de saber que podem contar comigo.
Só que essa mesma característica também me dá trabalho.
Eu gosto de trabalhar em equipe, mas percebo que fico um pouco irritada quando não sou eu quem organiza ou delega as coisas. Tenho uma ideia de como tudo deveria acontecer e, quando alguém faz diferente, preciso me lembrar de que diferente não significa malfeito. Parece óbvio escrevendo, mas na prática nem sempre é tão simples.
Cresci entendendo que precisava me virar. Resolver as coisas, encontrar um jeito, fazer sem depender de ninguém. Isso me trouxe autonomia, mas também criou um costume: assumir que eu preciso dar conta de tudo.
Até receber ajuda vira uma questão. Em vez de simplesmente agradecer, já começo a pensar em como compensar. O que posso fazer em troca? Como mostro que também estou me esforçando? Não quero parecer alguém que deixa tudo para os outros, a famosa “braço curto”.
E é cansativo transformar toda ajuda em uma dívida que a outra pessoa nem está cobrando.
Tenho pensado no quanto isso interfere nas minhas relações. Porque trabalhar em equipe também é permitir que outra pessoa decida, proponha e resolva. Se eu quero dividir uma tarefa, preciso dividir o espaço para fazer escolhas também. Não dá para querer participação e, ao mesmo tempo, esperar que tudo aconteça exatamente do meu jeito.
A Psicologia tem me ajudado a olhar para esse lado meu. Nas aulas, nos debates e ouvindo experiências parecidas, consigo perceber coisas que antes eu só tratava como “meu jeito”. Hoje tento prestar mais atenção ao que me incomoda e ao motivo desse incômodo.
Não significa que agora eu receba ajuda tranquilamente ou aceite qualquer mudança de plano. Ainda me pego querendo assumir tudo. Mas estou aprendendo a fazer uma pausa antes de interferir e a perguntar se aquilo realmente precisa de mim ou se eu só estou desconfortável por não estar conduzindo.
Gosto da minha autonomia. Ela me trouxe até aqui. Só quero conseguir receber ajuda sem sentir que preciso provar, logo depois, que não precisava dela.
Você também sabe se virar muito bem, mas trava um pouco quando alguém tenta ajudar?



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