A eleição escancara um problema sério no Brasil: muita gente não quer entender política. Quer encontrar uma frase que confirme o que já acredita e usá-la para atacar quem pensa diferente.
Um vídeo cortado vira prova. Um número sem fonte vira argumento. Uma mentira, depois de aparecer dez vezes no feed, ganha aparência de verdade. A psicologia conhece esse mecanismo: é mais confortável proteger as próprias crenças do que admitir um erro. Quando o candidato vira parte da identidade de alguém, questioná-lo passa a parecer uma ofensa pessoal.
É assim que pessoas defendem propostas que nunca leram e repetem dados que não sabem explicar. Falam de democracia, mas só respeitam a opinião e o resultado que lhes convêm. Cobram investigação do adversário e inventam desculpas para o próprio lado.
Também é preciso parar de romantizar a pobreza. Discurso bonito sobre “defender o povo” não substitui educação, oportunidade e condições reais para alguém crescer. Se uma proposta promete resolver um problema, o mínimo é explicar como, com que dinheiro e quais resultados se espera alcançar. Essa cobrança vale para a esquerda, para a direita e para qualquer político que peça um voto.
O país não precisa de mais gente repetindo legenda de internet como se fosse estudo. Precisa de pessoas capazes de ler além da manchete, conferir a fonte e sustentar uma conversa sem transformar toda discordância em inimigo.
A falta de interpretação não prejudica só um debate online. Ela facilita a manipulação de quem vai decidir o futuro do país.



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